sexta-feira, 25 de junho de 2010

Japão de Honda encanta e Itália envergonha em dia de papéis invertidos


Recebeu na meia-lua e entrou na área em velocidade, sem pedir licença. Com um toque sensacional, de letra, levou para a esquerda e, como manda o clichê, serviu ao companheiro mais bem colocado. "Drible de brasileiro", comentou o narrador Milton Leite, no SporTV, dando voz ao chauvinismo futebolístico nacional. Cabelos descoloridos em tom Carla Perez '96, luvinhas azuis nas mãos, o autor da jogada, Keisuke Honda, saiu do estádio Royal Bafokeng, em Rustemburgo, com o prêmio de Melhor Jogador da Fifa. Faturou essa versão turbinada do que os antigos chamavam de "Motorrádio" em duas das três partidas que jogou nesta Copa. Contra Camarões, fez o gol da vitória japonesa. Contra a Dinamarca, nesta quinta-feira, marcou em cobrança de falta e deu o passe para Okazaki selar o 3 a 1 final no placar.

O drible mais bonito da Copa nem precisava ter resultado em gol para estar citado aqui e explicado em suas origens, que contrariam o umbiguismo brasileiro. Até o recente advento de Marcus Tulio Tanaka, qualquer coisa que remetesse a habilidade no futebol japonês era apontado como influência brasileira. Em tintas mais rubro-negras de alguns comentaristas, tudo era fruto da longa relação de Zico com o país. Os gols de Honda e Endo de falta contra a Dinamarca foram apontados como legado do Galinho em mais de uma transmissão esportiva verde-amarela.

Mas a realidade é que, se tem alguma alguma escola futebolística estrangeira na trajetória do herói do dia na África do Sul, essa escola é a holandesa. O clube que o formou, Nagoya Grampus, decidiu deixar a brasilidade para trás ao trocar Nelsinho Batista por Sef Vergoosen justamente no ano em que Honda lá chegou, em 2005. Parênteses: a saída do técnico tinha se dado após um incidente tipicamente brasileiro (no mau sentido): brigalhada feia de vestíário envolvendo Vágner Ribeiro e Uéslei. Em 2008, Vergoosen voltou para seu país, levando consigo a joia de Nagoya.

Honda foi para o modesto VVV-Venlo, de Eredivisie, e rapidamente ganhou o apelido de 'Keizer Keisuke', Rei Keisuke. Valorizado, foi vendido ao CSKA por 12,9 milhões de dólares. Já na estreia, em março deste ano, eliminou o Sevilla da Liga dos Campeões com um gol de falta - a bem da verdade, um franguito de Palop. Mas ficou o cartão de visitas a Luís Fabiano... Na rodada seguinte, o poderoso Inter de Milão tratou de ejetar o time russo da competição com vitórias na ida e na volta. O técnico José Mourinho, porém, abriu os olhos do mundo e elogiou o japonês.

Honda é uma dessa peças desconcertantes que a globalização do futebol segue pregando na Copa do Mundo. Nesta quinta, enquanto a Nova Zelândia se despedia da Copa invicta, após mais um empate (0 a 0 com o Paraguai), a Itália saía pela porta dos fundos e com um chute no traseiro, desferido pela Eslováquia. Desde a batalha de Adwa, na Etiópia, em 1896, que a África não costuma ser cenário amiguinho para aventuras italianas. Na ocasião, o exército do imperador Menelik II conseguiu a primeira vitória africana sobre colonizadores europeus, deixando quase 6 mil baixas entre os derrotados.

O bando que Marcello Lippi botou em campo neste Mundial tinha potencial para matar de raiva muito mais tifosi na Velha Bota. Foi uma versão envelhecida e emburrecida do time campeão mundial mais sem brilho de todas as Copas. O 3 a 2 imposto pelos eslovacos no Ellis Park teve suas tintas dramáticas, é certo. Mas diante do retrospecto pós-2006 dos tetracampeões, soou como simples formalidade: a Itália pagou mico no Europeu de seleções, em 2008, foi ridícula na Copa das Confederações, no ano passado, e patética no jogo anterior, contra a Nova Zelândia. Em uma palavra, estampada pela "La Gazzetta dello Sport" em seu site: "Vergogna". Não é necessário traduzir. Para melhorar a definição, só pronunciando como fazia o comediante Costinha (1923-1995): "Nooooffa, que vergooonha".

0 comentários:

Postar um comentário

Brasil
Brasil
Depois do que vimos, o Brasil ganha a Copa?

E se não levarmos a taça, quem será o campeão?

Ao participar deste estudo de 1 minuto você concorrerá a um iPad e a outras surpresas...

Quero participar!
iPad

Se o link não funciona, copie e cole o seguinte link na barra do seu navegador:
http://sm.netquest.es/nsm/a?c=823&i=49&l=H
Imperdível
50% de desconto no American Breakfast do P.J.Clarke's é Imperdível!

Se você gosta de waffles, pancakes e scrambled eggs no seu café da manhã de sábado, nós temos uma promoção IMPERDÍVEL: Sirva-se à vontade no American Breakfast do PJ Clarke's de R$30 por R$15 (50% de desconto!). A história do PJ Clarke’s, aberto em 1884, mistura-se com a história da cidade de Nova York. Frank Sinatra, diziam, era o “dono” da mesa número 20 e deixava gorjetas extremamente generosas. Já Nat King Cole era fã dos sanduíches da casa, dizendo que por lá serviam “o Cadillac dos hambúrgueres”. Jackie Onassis, quando passou a morar na cidade, tornou-se frequentadora assídua.

A unidade de São Paulo foi a primeira fora dos Estados Unidos e desde então tem sido sucesso de público e crítica, tornando-se uma atração IMPERDÍVEL. A casa paulistana tem decoração que conta com as tradicionais toalhas quadriculadas e inúmeras outras peças importadas da Big Apple.

Não perca tempo, compre agora sua oferta de hoje e descubra por que o PJ já recebeu tantos prêmios da critica especializada!

R$ 15,00
R$ 30,00 50% R$ 15,00
PJ Clarke's
Rua Doutor Mário Ferraz, 568
CEP 01453-011 São Paulo-SP
Tel. 11 3078-2965
www.pjclarkes.com.br
Dúvidas? Entre em contato por e-mail ou por telefone: (11) 2337-6414
Adicione contato@imperdivel.com.br ao seu catálogo de endereços para garantir o recebimento de nossos e-mails em sua caixa de entrada.
Você está recebendo essa mensagem por ter se cadastrado no site Imperdivel.com.br. Caso não queira mais receber nossas notícias,
clique aqui para solicitar seu descadastro.
Faça parte