terça-feira, 6 de julho de 2010

Calouro do elenco, Antônio ganha chance entre os titulares em Itu


Antônio talvez seja o jogador menos conhecido da torcida entre os titulares que estão sendo observados por Rogério Lourenço em Itu. Mas o volante, que é estudante universitário, já é veterano na turma do treinador, que já o convocou para seleção brasileira sub-20 e é só elogios à postura dele dentro e fora de campo. Depois de uma lesão que interrompeu sua carreira, ele começa a ter sua primeira chance entre os profissionais. Centrado nos seus objetivos, ele não se surpreende com tudo que está acontecendo.

- Sempre trabalhei e lutei por isso – diz Antônio.

Dono de uma personalidade forte, este garoto de 21 anos é inteligente ao ponto de saber analisar sua trajetória e projetar o seu futuro, sempre articulando bem as suas idéias. Criado no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o volante foge um pouco do padrão do jogador brasileiro. Além de saber falar inglês e arranhar um espanhol, Antônio está fazendo faculdade de administração de empresas à distância. Tudo por ter consciência de que a carreira de jogador de futebol é curta.

Talvez por ele ser tão lúcido, Rogério esteja confiante em aproveitá-lo como titular pela primeira vez, sem o garoto jamais ter sido relacionado para qualquer outro jogo profissional anteriormente. Vale ressaltar que Maldonado tem feito um trabalho de reabilitação muscular, mas poderá estar à disposição para enfrentar o Botafogo, dia 14, no Maracanã. Apesar de ser calouro no elenco, Antônio ganhou, inicialmente, a disputa por uma vaga com nomes como Lenon e Rômulo, e disputou todos os treinos em Itu no time principal.

- Ele tem tudo para ter um grande futuro como jogador. Conheço o Antônio há muito tempo e ele tem boas qualidades para um volante: tem bom passe, poder de marcação, posicionamento, pode jogar de primeiro ou segundo homem do meio... E ele também é um garoto que tem uma cabeça boa e ótima conduta profissional. Antônio era para ter sido titular comigo na seleção brasileira sub-20 que foi para o Mundial da categoria, em 2009, mas infelizmente ele acabou fraturando o pé (direito). Como ele está recuperado, eu pedi para ele voltar, pois acredito no que eu já vi dele. Então eu acho que ele vai render – elogiou o "professor" Rogério Lourenço.

Por enquanto, Antônio ainda está sendo observado pelo treinador. Mas a confiança é uma companheira do volante que chegou a ficar quase um ano parado recuperando-se desta lesão no pé. Por isso, cada passo que ele dá na carreira é calculado e bem administrado, assim como vem sendo ensinado na faculdade. Conheça um pouco mais sobre o volante na entrevista que ele concedeu ao GLOBOESPORTE.COM, em Itu. Confira abaixo os principais trechos.


Você talvez seja o jogador menos conhecido do time titular que vem sendo testado pelo treinador, em Itu. Como você se apresentaria para a torcida? Qual a sua história?


- Eu comecei nas divisões de base do Flamengo. Em 2008, eu fui convocado para a seleção sub-20 pelo Rogério para um torneio no Japão e fomos campeões. Quando eu voltei, passei a disputar a Taça OPG e acabei fraturando o pé direito. Por causa dessa lesão, eu fiquei parado uns oito meses e perdi quase um ano. Isso atrapalhou não só a minha sequência na seleção (ele deixou de ir ao Mundial da categoria) como a minha carreira também. Aí quando voltei a jogar pelos juniores, o Rogério já tinha subido para ser auxiliar do Andrade e eu fui emprestado ao CFZ (por conta da parceira do Flamengo com clube de Zico). Lá eu tive uma sequência boa e voltei a jogar. Consegui recuperar meu ritmo e fui chamado para voltar ao Flamengo agora que o Rogério é o técnico.

Você já chegou tendo uma chance entre os titulares. Como você está vendo esta situação? Fica surpreso por essa rapidez?


- Oportunidade não dá para ser escolhida. Jogar pelo Flamengo é sempre bom. Para mim, estar aqui não é impactante. Não posso dizer que estou surpreso de estar aqui, tendo chance entre os profissionais. Sempre trabalhei e lutei por isso. Então tenho de pensar em aproveitar esta chance para ir bem entre os profissionais.

Rogério te considera um garoto inteligente dentro e fora de campo, e conversando com você, dá para ver que é um jogador bem articulado. De onde vem essa sua característica?

- Essa preocupação é uma questão de família, que sempre me incentivou a estar estudando. E eu também sei como isso (estudar) é importante, pois jogador de futebol tem a carreira curta. Até a oitava série existia aquela questão de estudar e treinar, sem eu ainda saber qual seria o meu futuro. Mas quando eu vi que eu tinha chance de ser jogador mesmo, pois era titular no juvenil, eu passei a me dedicar mais aos treinos... Mas nunca deixei de estudar.

Você estuda até hoje?

- Faço faculdade de administração à distância (por uma faculdade particular carioca). É uma espécie de hobby para não trabalhar apenas a parte motora, mas também a intelectual.

Mas qual motivo de estudar administração? Seria a carreira que você escolheria se não fosse jogador de futebol?

- Escolhi administração por proporcionar uma formação muito abrangente, já que pode me servir para diversas coisas. Serve tanto na minha carreira como jogador, como para o meu futuro também. Tem pontos de liderança, finanças, organização, contabilidade... Tudo isso é útil na minha carreira.


Você só está chegando ao profissional com 21 anos, depois de ter ficado muito tempo se recuperando de uma lesão. Esta é a chance de se firmar no Flamengo?


- O Rogério me conhece bem e vem me dando essa chance. Quero aproveitá-la da melhor maneira até porque o jogador passa por muita coisa até chegar aqui no profissional. Larguei muita coisa na minha vida por causa dos compromissos com o futebol. Quando fazemos escolhas, isso é normal. Perdi um pouco da minha liberdade social, não aproveitei certas ocasiões... Mas não me arrependo. Estar aqui vale muito a pena.

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