Uruguai 2×3 Alemanha – O melhor do descompromisso

Sem a pressão pelo resultado que faz com que os times se preocupem mais com as virtudes dos adversários do que com as próprias, alemães e uruguaios fizeram um jogo agradável, solto e, com duas viradas, mais interessante que muitas partidas de um Mundial de bom nível técnico e tático, mas com raras alternâncias nos placares para aumentar a emoção. Pelo menos os cinco gols melhoraram bastante a média de gols, agora de 2,28 por jogo.
A Celeste novamente se ressentiu da ausência de um articulador no meio-campo com o avanço de Forlán para o ataque, talvez por problemas físicos, no 4-4-2 ortodoxo utilizado por Tabárez nos últimos jogos. Pérez e Arévalo foram eficientes em muitos jogos e participaram das jogadas dos gols de Cavani e Forlán, mas não são os meias centrais que o esquema solicita para que o time trabalhe melhor a bola. Só mesmo com o recuo do camisa 10 que o time de Oscar Tabárez criava.
A garra e a vontade de dar um belo desfecho para a surpreendente campanha uruguaia chegaram a equilibrar a disputa. Mas as falhas de Muslera e Lugano nos tentos de Jansen e Khedira que decretaram a virada alemã pesaram demais. No último lance, a cobrança de falta que explodiu no travessão de Butt não fez justiça à Copa espetacular de Forlán nem à fibra dos sul-americanos. O jogo bom de se ver merecia prorrogação.
Melhor para a equipe de Joachim Low, que mesmo muito mexida na escalação, manteve o fluido 4-2-3-1 e trabalhou melhor no meio-campo com o toque fácil de Khedira, o melhor em campo, e Schweinsteiger e a marcante presença ofensiva de Muller, autor do gol que abriu o placar em nova falha de Muslera. O meia do Bayern de Munique é mais um que chega aos cinco gols.
Sem Klose, contundido, a Alemanha compensou a falta da referência no ataque com a movimentação de Cacau que abriu espaços para a chegada do trio de meias e dos volantes. Ozil apareceu bem pela esquerda compensando a pouca efetividade de Aogo e Jansen pelo setor e a dupla de zaga fez o que pôde no duelo com Forlán e Suárez, que muitas vezes exagerou no individualismo atrás da artilharia do torneio e sentiu as vaias da torcida no Nelson Mandela Bay pela “defesa” contra Gana.
Se mantiver a linha de trabalho – e essa é a tendência, a Alemanha será forte demais em 2014 com o amadurecimento de um time coeso, de ótima técnica e vocação ofensiva. No Uruguai, a boa campanha deve servir como estímulo para a reconstrução definitiva do futebol no país bicampeão mundial.
Deixando o futuro de lado, celebremos a gostosa partida com um leve toque da irresponsabilidade da “pelada” que honrou a tradição das duas escolas e divertiu também por mais um acerto do incrível polvo Paul, o “profeta” de 2010.

Alemanha no habitual 4-2-3-1 com volantes soltos e Cacau abrindo espaços na frente; Uruguai no 4-4-2 com Forlán no ataque e um meio-campo aguerrido, mas sem articulação.
0 comentários:
Postar um comentário